Bê-a-Bá do Vinho

Escrito Por: Liber Wines Publicado em: Nulla posuere Data de Criação: 06/09/2013 Acessos: 114 Comentários: 0

Gestação e Parto de um vinho by Gerson Lopes

De maneira simples e sucinta vamos falar sobre a elaboração de vinhos, sua gestação e parto. Quatro elementos são  fundamentais na qualidade de um vinho: a uva, o solo, o clima e o homem (tecnologia).

Com relação às uvas, somente algumas delas – “vitis viníferas”, em alguns solos que oferecem sais minerais e outros componentes, em condições climáticas adequadas de calor, frio, sol e chuva harmoniosamente distribuídos, é que podem possibilitar um grande vinho.

Cada cepa (casta ou tipo de uva) tem uma preferência específica por determinado solo, clima e região. Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Merlot, Cabernet Franc, Syrah, Sangiovese, Baga, Barbera, Malbec, Gamay, Grenache, Nebbiolo, Tempranillo, Touriga Nacional constituem as principais variedades de uvas tintas. O reinado no mundo das tintas ainda pertence à Cabernet Sauvignon que vem cada vez mais sendo ameaçado pela Syrah (típica do norte do Rhône), também conhecida como Shiraz pelos australianos. Entre as variedades ou castas brancas temos: Chardonnay, Riesling, Alvarinho, Sauvignon Blanc, Gewüztraminer, Semillon, Pinot Blanc, Moscato, Chenin Blanc, Arinto, entre outras.  A Chardonnay é considerada a rainha das uvas brancas. Particularmente, aprecio cada vez mais vinhos à base de Riesling, principalmente alsacianos e grandes alemães, estes últimos não tendo nada a ver com as “famosas” garrafas azuis, outrora tão populares em nosso meio.  

A uva, como todo ser vivo, nasce diferente em cada país - a Chardonnay da Borgonha é diferente da Chardonnay chilena - ou no mesmo país nas diferentes regiões - a Chardonnay da Borgonha é diferente da Chardonnay do Languedoc - dependendo de uma série de circunstâncias, por mais que na essência a composição genética seja semelhante. 

 Em se tratando de enologia - ciência que estuda todas as etapas na produção de vinhos - vinhas com dezenas de anos (vinhas velhas) podem propiciar estupendos exemplares. A mesma coisa diz respeito ao solo. Um solo aparentemente ruim como aquele rico em cascalho, ou areia, ou argila, ou calcário pode ser o de melhor para o desenvolvimento de uma uva. Em suma, condições hostis ao desenvolvimento da uva podem ser prejudiciais a produção em termos quantitativos, porém em termos qualitativos pode ser favorecedora.

Da mesma forma que em uma gestação onde muito líquido amniótico, ou pouco, pode comprometer a sua evolução; no desenvolvimento de uma uva a presença de muita ou pouca chuva (principalmente muita na época da colheita ou vindima) pode prejudicar a produção de um vinho. Porém, muitos outros problemas afetam a “gestação” de um vinho – o clima, o solo, o momento e a forma da colheita etc.  É aí que entra o conceito de “terroir” que mantendo a comparação com gestação e parto de uma criança, envolve a genética e placenta (em enologia: uvas e solos), a evolução durante o pré-natal com ou sem comorbidades/doenças (em enologia: clima, exposição solar, altitude e doenças nos vinhedos) e por último as condições relacionadas ao parto (em enologia, o trabalho na adega do enólogo).

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